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-355 DIAS PARA O CARNAVAL 2011

 

 

Postado por Edgar Filho, Beto Mussa e Simas | 04/02/12 - 00:12

carnaval

Vá ao Off-Carnaval (mas não me convide)

Clique para ampliarGosto de Carnaval. Desde moleque sempre aguardei o tríduo com grande expectativa e me esbaldei na maioria das vezes. É, provavelmente, influência de uma família que sempre gostou da fuzarca de Momo. Me recordo quando, numa raríssima exceção, embarquei na canoa furada de uma viagem para um sítio na Serra da Mantiqueira durante a folia. Passei, seguramente, alguns dos piores momentos da minha vida entre as matas, rios, pássaros canoros e banhos gelados de cachoeira. Jurei nunca mais me comportar como um sandeu.

É possível que o carnaval ocorra debaixo de chuva. Sem problemas. Já brinquei debaixo d´água e sob sol escaldante. Prefiro mil vezes a chuva. Já desfilei em escola de samba às dez horas da matina, com um calor de torrar os miolos do capeta, e por muito pouco não bati o pino. Debaixo de chuva qualquer conhaque vagabundo colabora; sob um calor senegalesco, no embalo do alalaô, não tem cerveja que resolva.

Mas não quero falar sobre meu passado de folião. Para mostrar que sou tolerante com os que detestam os dias de folia, preparei, consultando jornais, sítios na rede e amigos, uma lista de programas off Carnaval (gostaram da expressão afrescalhada? Copiei de uma revistinha d´O Globo). Vejam como pode também ser divertido ficar alheio ao evento. Eis aí a lista com dez programas para quem não é chegado no ziriguidum:

Clique para ampliar1- Em São Paulo estão programadas, como nos últimos anos, missas com os padres cantores Marcelo Rossi, aquele que canta imitando elefantes e girafas, e Antônio Maria, cujo ápice da carreira sacerdotal foi ter celebrado a histórica união entre Ronaldo Fenômeno e Daniella Cicareli no Castelo de Chantilly, na França, sob patrocínio da revista Caras. Programaço.

2- Mostra de filmes inéditos no Centro Cultural Banco do Brasil. Imperdível para os cinéfilos que detestam carnaval. Enquanto eu estiver me preparando para desfilar no Império Serrano, por exemplo, o sujeito pode assistir a filmes do diretor tunisiano, adepto do cinema contemplativo, Abdellatif Kechiche, curtir uma mostra de filmes de jovens documentaristas da Indonésia e assistir a uma maratona sobre o olhar feminino no cinema do leste europeu.

3- Teatro. Nada melhor que uma ida ao teatro para os que detestam a folia. Não é o meu caso. Sempre tive vergonha alheia, que o tempo transformou em verdadeiro horror, de ver alguém no palco representando um texto. É mais fácil me encontrarem visitando o túmulo do Marechal Floriano Peixoto no São João Batista ( jazigo 125 - A, podem conferir) do que numa peça teatral. Aliás, o São João Batista é também uma dica interessante para os inimigos de Momo. Para quem preferir o Caju, indico o túmulo do Barão do Rio Branco, em mármore monumental e mais alto do que o vão central da ponte Rio-Niterói. O cemitério de Paquetá tem mangueiras centenárias, clima bucólico e não se escuta qualquer baticum.

Clique para ampliar4- Camarotes das cervejarias na Marquês de Sapucaí; sempre repletos de celebridades e personalidades do mundo político. É, sem a menor dúvida, o melhor programa para quem de fato detesta carnaval. O camarote da Nova Schin, por exemplo, costuma contar com os serviços do Buffet Fasano Bambi Bi, da cheff Camila Fasano. Esse tipo de informação, sobre os menus servidos em camarotes e quejandos, costuma ser o mote da coluna do Joaquim Ferreira dos Santos, n´O Globo. Só não me perguntem que diabos quer dizer Bambi Bi.

5- Em Búzios ocorrerá um festival de música eletrônica, programa ideal para panssexuais suicidas e artistas de vanguarda antenados com a cena eletrônica européia. No Ceará, nos dias de folia, o quente é o festival Ceará in Rock. O objetivo do furdunço, segundo os organizadores, é promover a integração musical e ambiental, com a presença de atrações estrangeiras e da cena nordestina, como o Comando Etílico (RN) e o SCUD, grupo de vanguarda do rock piauiense.

6- A catedral mundial da Igreja Universal do Reino de Deus, na Avenida Dom Helder Câmara, promoverá a "maratona do descarrego". Durante quatro dias pastores realizarão exorcismos e descarregos em tempo integral. A igreja promete encerrar o evento com a realização do ritual da fogueira santa de Israel, onde os bilhetes com pedidos dos devotos arderão na pira do Leão de Judá. Promete ser mais animado que o desfile da Grande Rio falando sobre a superação do ser humano diante de adversidades.

7- Mostra "Carl Theodor Dreyer e Lars Von Trien: os cineastas da vida interior", na Caixa Cultural Rio. Programaço! Contem-me depois como foi assistir a maratona de filmes instrospectivos, com direito a um debate sobre o cinema dinamarquês ontem e hoje.

Clique para ampliar8- Caminhadas ecológicas. Eis um programa tremendamente interessante para os que detestam o tríduo. Há uma série de caminhadas ecológicas, que podem ser feitas com o auxílio de grupos especializados, previstas para o reinado de Momo. A empresa "Caminhos do Coração", por exemplo, organizará trilhas na Floresta da Tijuca, no Morro da Urca, na Pedra da Gávea e na Serra dos Orgãos, com direito a banhos de cachoeira e paradas para meditação. Deve ser tremendamente divertido, sobretudo se chover.

9- Festa na boate Privilège, em Búzios, com a dupla americana de house music Deep Dish. Em pleno sábado de carnaval, o programa ideal para os descolados e o público que curte (é isso que está escrito na propaganda do evento) a fusão entre música de vanguarda, moda vintage, filosofia e pop art. É o programa mais indicado para rapazes frescos e jovens lésbicas intelectualizadas.

10- Fim de semana prolongado no Hotel Fazenda Santa Cruz, nas imediações de Barra do Piraí. Leite tirado na hora, diversões temáticas para crianças, sessões de power yoga e tai-shi-shuan para a terceira idade e, importantíssimo, shows de MPB e jazz. Sessões de relaxamento com terapeutas especializados, massagens com pedras pegando fogo, oficinas de origami e palestras sobre culinária orgânica são opcionais e não estão incluídas no pacote.

Depois dessas dicas que provam, repito, minha compreensão em relação aos não carnavalescos, abrirei a primeira gelada do dia, às margens do Rio Maracanã, colocarei uma farofa nos pés de Exu, que não sou besta, e declararei em breve aberto o meu Carnaval.

Evoé!

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Postado por Edgar Filho, Beto Mussa e Simas | 09/11/11 - 15:30

sambas de enredo

Epopéias brasileiras

Hoje estamos vivendo o início das discussões sobre os sambas de enredo 2012 e suas gravações, por Clique para ampliarisso achamos oportuno publicar um texto do Simas sobre o assunto:

Quando escrevemos, Alberto Mussa e eu, nosso livro sobre sambas de enredo, partimos da constatação de que essa espécie de samba é talvez a mais impressionante e surpreendente de todas. Defendemos, basicamente, que o samba de enredo não é lírico - contrariando assim uma tendência universal da música popular urbana - , integra o maior complexo de exibições artísticas simultâneas do mundo moderno (o desfile das escolas de samba) e, não bastasse isso, é um gênero épico. Mais ainda: é o único gênero épico genuinamente brasileiro. Cito o Houaiss:

epopéia

1 Rubrica: literatura.

poema épico ou longa narrativa em prosa, em estilo oratório, que exalta as ações, os feitos memoráveis de um herói histórico ou lendário que representa uma coletividade

2 Derivação: por extensão de sentido.

sucessão de eventos extraordinários, ações gloriosas, retumbantes, capazes de provocar a admiração, a surpresa, a maravilha, a grandiosidade da epopéia

3 Derivação: sentido figurado.

aventura fabulosa

Clique para ampliarOs sambas de enredo constituem o corpo de uma grande epopéia brasileira. Digo mais: raros são os povos que têm um conjunto tão sofisticado de epopéias. Silas de Oliveira é o nosso Homero. Os Sertões, a obra monumental de Edeor de Paula para a Em Cima da Hora, é dos maiores cantos épicos que a humanidade produziu. O Império Serrano tem, para a história da civilização, importância no mínimo similar a de Atenas. Não se pode contar a história gloriosa da humanidade sem a Grécia, sem o Egito, sem a Babilônia, sem a Serrinha...

Senhores professores de literatura do ensino médio: Que tal, ao ensinar aos brasileirinhos o que é um gênero épico, falar de Homero, Virgílio, Camões, Silas, Jurandir, Didi, Aurinho, Anescar... Que tal, depois de trechos da Ilíada, da Eneida e de Os Lusíadas, botar os garotos para escutar Pernambuco, Leão do Norte , Batalha Naval do Riachuelo, Quilombo dos Palmares, Chico Rei, Ao povo em forma de arte, O saber poético da literatura de cordel...

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Postado por Edgar Filho, Beto Mussa e Simas | 24/06/11 - 19:02

puxadores de sambas de enredo

Aroldo Melodia - segura a marimba!

Clique para ampliarEsse negócio de escrever coluna e fazer samba a três são coisas que nos dão muito prazer, por que, mais do que parceiros, somos amigos, e unidos por gostos muito próximos nesse quesito. E puxador de samba de enredo é fogo, e nosso preferido nunca foi o genial Jamelão, que preferia, inclusive, ser chamado de intérprete, e era mesmo um senhor intérprete da música brasileira. O nosso puxador predileto, gênio absoluto da nobre arte de sustentar o canto da escola na avenida, morreu numa quarta-feira de 2008. Falamos do grande Aroldo Fiorde, que em virtude da afinação irretocável ganhou o apelido de Aroldo Melodia.

O grande puxador da União da Ilha do Governador conseguia como ninguém sustentar o canto e, ao mesmo tempo, comandar a festa do público, com o insuperável grito de guerra "Segura a Marimba"! A primeira vez em que despontou para o grande público foi puxando na avenida o irretocável samba "Domingo", do Aurinho da Ilha, Ione do Nascimento, Ademar Vinhaes e Waldir da Vala, obra prima em tom menor que ganhou um colorido especialíssimo na voz do mestre.

Clique para ampliarAroldo também foi compositor de sambas memoráveis de sua União da Ilha do Governador: "Lendas e festas da yabás", de 1974, e "O que será", de 1979.

Aroldo Melodia foi em silêncio, sem alarde, sepultado no cemitério da Cacuia, na sua Ilha querida. Foi encontrar Didi, Mestrinho e Franco em algum boteco do Orum. Fica registrado aqui o nosso respeito pelo maior de todos, o que uniu o vigor, o canto doce e afinado e o entusiasmo pulsante - em nossa modestíssima opinião de admiradores absolutos do gênero samba enredo. Segura a marimba!

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Postado por Edgar Filho, Beto Mussa e Simas | 03/05/11 - 22:14

sambas de enredo

A festa dos curumins dançantes

Clique para ampliarAcompanho desfiles de escolas de samba desde que me conheço por alguma coisa parecida com gente. Já vivi momentos absolutamente emocionantes, arrebatadores mesmo, na Marquês de Sapucaí, Avenida Rio Branco e Intendente Magalhães - e garanto aos amigos que raros desses momentos aconteceram nos desfiles do grupo especial. Os grandes desfiles que vi, daqueles de comover até o diabo, aconteceram normalmente nos grupos de acesso.

Um deles foi o cortejo de 1999 da Unidos da Tijuca. A escola do Borel estava no grupo de acesso e apresentou o enredo O Dono da Terra - sobre as tradições e lendas de amor dos índios da amazônia brasileira.

Clique para ampliarO desempenho tijucano foi um caso sério. A entrada da escola na avenida, com refrões de delicadeza comovente, causou uma emoção na platéia que poucas vezes presenciei [o samba, aliás, tem três refrões, coisa que os entendidos atuais acham que não dá certo]. A comissão de frente, com os curumins dançando para a lua na festa das guerreiras, já deixou a avenida em polvorosa. O Borel se transformou na mais bonita das tabas do Brasil.

Abastecido por uma quantidade generosa de cerveja , chorei copiosamente ao ouvir a escola na beira da pista cantar a segunda parte do samba e não parei mais. Os índios, encantados brasileiros, cantavam assim na madrugada de lua minguante :

Hoje a Tijuca canta /Sacode e balança esta cidade /Viaja no conto do índio /O dono da terra, que felicidade / No cantar do Uirapuru /Tantas lendas pra contar /Sob as ordens de Rudá /Iara mandou Jaci clarear /E seu caminho iluminar / Veja o orvalho vem caindo /Cheiro das matas vem surgindo/ Vou navegar meu rio mar / Mistérios que vou desvendar /Por essas matas verdejantes / Têm seres sobrenaturais /Mulheres metade serpente /Curumins dançantes /E vi estranhos animais/ Farturas encontrei, com as plantas conversei/ Com as bênçãos de Rairu/ Sentei pra meditar/ Se a lua for minguante/ Eu peço a proteção /Me deixa com as guerreiras festejar.

Nesse ponto entra o refrão final, de uma simplicidade brilhante - uma declaração de amor em forma de samba de enredo. Uma das declarações de amor mais bonitas que ouvi na vida :

Pedras preciosas quero me enfeitar /Encantar a índia com o meu olhar/ Só Tupã sabia / Que eu não podia me apaixonar .

Clique para ampliarFaçam o seguinte: ouçam, primeiro, a versão em estúdio do samba.

Quem puder, escute o registro da Unidos da Tijuca entrando na Sapucaí, disponível na internet, com Davi do Pandeiro cantando o samba de enredo. Quem conhece um pouco de escola de samba sabe o que significa esse momento, quando o hino começa a ser levado com a base do cavaco, sete cordas, coro e efeitos - até a entrada arrepiante da bateria. A escola, na beira da pista, se prepara para começar o desfile. Esse é o momento que testa o coração do sambista - não há nada parecido no planeta, meus velhos. Escutem a linda declaração de amor tijucana [e reparem, quando entra a bateria, na ala das cuícas do nosso Borel].

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Postado por Edgar Filho, Beto Mussa e Simas | 02/02/11 - 19:35

blocos carnavalescos

Alô Cacique, cadê o Bafo?

Clique para ampliarUm das imagens mais marcantes do carnaval carioca desde a década de 1960 é, sem dúvidas, o desfile do Cacique de Ramos. Milhares de foliões fantasiados de apaches ocupam a Avenida Rio Branco e mostram como o Velho Oeste foi devorado antropofagicamente pelo ziriguidum tupiniquim. O Cacique é, ouso dizer, um marco civilizatório da maior relevância para a história da cidade do Rio de Janeiro e, consequentemente, do Brasil. A agremiação de Ramos foi, com suas rodas de samba à sombra da tamarineira sagrada, uma espécie de Tróia do samba diante da explosão midiática do rock nacional nos famigerados anos de 1980  e só isso bastaria para dar ao bloco um lugar de importância maior no panorama cultural brasileiro.

A louvação ao Cacique de Ramos leva, porém, a uma indagação: que diabos aconteceu com o Bafo da Onça, bloco que dividia com o Cacique a paixão dos foliões cariocas e hoje, enquanto o carnaval de rua volta ao centro da cena, anda caindo pelas tabelas, como pálida lembrança do que foi? Bafo e Cacique cansaram de transformar a Avenida Rio Branco, nos dias de Momo, em um verdadeiro Maracanã em domingo de Fla X Flu. Contar a história dos apaches sem falar das onças-pintadas é rigorosamente impossível.

Clique para ampliarO Bafo da Onça é mais antigo que o Cacique. O bloco foi fundado dentro de um botequim do bairro carioca do Catumbi, em meados dos anos cinquenta. Seu principal fundador foi um carpinteiro e policial chamado Sebastião Maria; um sujeito que, durante os dias de carnaval, formava uma espécie de bloco do eu sozinho e costumava sair pelas ruas do bairro fantasiado de onça-pintada.

Seu Tião Carpinteiro tinha ainda o hábito de começar a tomar uns gorós no dia de Santos Reis - data que marcava, para ele, o início das festas de Momo - e só encerrar os trabalhos na quarta feira de cinzas.

Ocorre que o Seu Tião bebia tanto, mas bebia tanto, que acabava ficando com um hálito meio pesado. Parecia, de fato, que comia carniça. Durante uma das carraspanas contumazes, um grupo de amigos do Catumbi, sob a liderança do carpinteiro, resolveu criar um bloco de carnaval. Todos sairiam fantasiados de onças-pintadas. O nome do bloco, é evidente, já nasceu pronto.

O Bafo cresceu e virou atração do carnaval da cidade. As mulatas do Sargentelli, João Roberto Kelly, Oswaldo Nunes e Dominguinhos do Estácio eram figuras populares nos furdunços que a turma do Catumbi promovia. A popularidade foi tamanha que o próprio Bira Presidente, fundador e eterno dirigente do Cacique, admite que o bloco dos apaches de Ramos foi criado com o objetivo de superar as onças pintadas do Catumbi.

Clique para ampliarÉ inevitável, portanto, que os cinquenta anos do Cacique de Ramos venham acompanhados pelo júbilo e, também, pelo lamento em virtude do declínio do Bafo da Onça.

Quero crer que, dentre várias razões que explicam esse declínio (são mesmo inúmeras), uma merece ser ressaltada, até mesmo como um alerta.

A decadência do Bafo é análoga ao triste fim do bairro do Catumbi, centro de origem do bloco. Poucos bairros cariocas sofreram tanto com as reformas urbanas que, vez por outra, marcam a cidade. Ao longo das décadas de 1960 e 1970, o Catumbi foi sendo devastado. A abertura do túnel Santa Bárbara e, especialmente, a construção do viaduto 31 de março, dividiram o bairro em dois pedaços, ocasionaram a demolição de imóveis centenários e a destruição de quadras inteiras.

Em nome da reestruturação urbana do Rio, o Catumbi se transformou em um bairro de passagem, perdeu a maior parte de seus moradores e deixou de ser um centro de referência para a comunidade, com suas vivências, saberes, hábitos cotidianos e visões de mundo. O Bafo da Onça, de certa forma, era fruto desse espaço de convívio dizimado pelo poder público.

Que em tempos de remodelação urbana, choques de ordem, copas, olimpíadas e que tais, os responsáveis pelas intervenções urbanas tenham consciência de que os lugares são, mais do que qualquer outra coisa, espaços de construção de memórias, culturas, formas peculiares de se experimentar a vida e abordar o mundo. E que as tamarineiras cariocas  as que restam - continuem de pé.

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